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Liturgia Diária

SÁBADO, DIA 11 DE JULHO DE 2026

XIV SEMANA DO TEMPO COMUM
São Bento, Abade, Memória
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— Is 6, 1-8

Leitura do Livro do Profeta Isaías

1No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono de grande altura; o seu manto estendia-se pelo templo. 2Havia Serafins de pé a seu lado; cada um tinha seis asas, duas cobriam-lhes o rosto, duas, os pés e, com duas, eles podiam voar.
3Eles exclamavam uns para os outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”. 4Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça. 5Disse eu então: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”.
6Nisto, um dos serafins voou para mim, tendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz, 7e tocou minha boca, dizendo: “Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa, e teu pecado está perdoado”. 8Ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” Eu respondi: “Aqui estou! Envia-me”.
— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 92(93), 1ab. 1c-2. 5 (R. 1a)

℟. Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

— Deus é Rei e se vestiu de majestade, revestiu-se de poder e de esplendor! ℟.

℟. Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

— Vós firmastes o universo inabalável, vós firmastes vosso trono desde a origem, desde sempre, ó Senhor, vós existis! ℟.

℟. Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

— Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor! ℟.

℟. Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

℟. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
℣. Felizes sereis vós se fordes ultrajados por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus. (1Pd 4, 14) ℟.
Evangelho — Mt 10, 24-33

℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Mateus 
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24“O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. 25Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa eles chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus familiares!
26Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!
29Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.
32Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus”.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
São Bento de Núrsia, Abade

Local: Montecassino, Itália
Data: 11 de Julho † 547

Enquanto no Oriente o imperador Justiniano se ocupava com fazer e desfazer leis, costumes, construções, sedições, um homem pobre, saído quase que de uma caverna, fundou uma legislação e uma sociedade novas, para quem quisesse a ela submeter-se. O nome desse homem era Benedito ou Bendito, do qual se formou Bento. Bendito de nome, ele o foi principalmente nas obras. Nasceu por volta do ano de 480, de uma família de grande consideração, nos arredores de Núrsia, no ducado de Espoleto. O pai chamava-se Eutrópio, a mãe Abundância. Jovem ainda, foi enviado a Roma para fazer seus estudos. Mas, vendo a corrupção da juventude das escolas, retirou-se secretamente da cidade e, furtando-se inclusive da governanta que o havia acompanhado, foi para um lugar chamado Sublac, a quarenta milhas de Roma, onde se fechou em uma caverna muito estreita. Estava com catorze ou quinze anos. Ficou três anos nessa caverna, sem que ninguém soubesse de nada, exceto um monge que o encontrou nessa solidão: Bento confessou-lhe seus desígnios, e o monge, prometendo-lhe guardar segredo, vestiu-o com um hábito monástico e lhe deu todos os recursos que dele dependiam. Romano, era o nome do monge, morava em um mosteiro da vizinhança, sob a direção de um abade chamado Teodato. Mas de vez em quando escapava e levava, em certos dias, o que economizava de sua porção, a São Bento. Como não houvesse caminho para chegar à caverna, pelo lado do mosteiro de Teodato, Romano amarrava o pão a uma corda comprida, com um sininho, para chamar a atenção de Bento e para que este o apanhasse.

Vivendo assim na caverna, sem nenhum comércio com os homens, não sabia nem em que dia se encontrava. No dia de Páscoa do ano de 497, um sacerdote havia preparado sua refeição. Deus fê-lo saber, por revelação, o lugar em que se encontrava seu servo, morrendo de fome. Ele se pôs imediatamente a caminho, através de valezinhos e rochedos, até alcançar a caverna. A primeira coisa que ambos fizeram foi rezarem juntos e se entreterem em seguida com coisas divinas.

Ao fim, o sacerdote lhe disse:
– Levanta-te e comamos, porque é hoje dia de Páscoa.
Bento respondeu:
– Sei bem que é a festa da Páscoa, pois tenho a felicidade de vê-lo.
O sacerdote lhe disse novamente:
– É de fato a solenidade pascal, o dia da ressurreição do Senhor, no qual não convém que jejues, e fui enviado expressamente para tomarmos juntos os dons de Deus.

Então, comeram juntos, bendizendo o Senhor. Terminada a refeição, o sacerdote tornou à sua igreja.

Pelo mesmo tempo, alguns pastores o encontraram escondido na caverna. Vendo-o coberto com uma pele de ovelha, através das urzes, tomaram-no por um animal. Mas quando souberam que se tratava de um servo de Deus, encheram-se de veneração por ele. Alguns, cativados por suas palavras, deixaram os costumes brutais e se converteram. Desde esse tempo, começou a ser conhecido de toda a vizinhança. Muitos vinham vê-lo e lhe traziam comida. Ele, para lhes agradecer, alimentava-lhes as almas com diversos conselhos salutares. O demônio ficou invejoso. Um dia, Bento estava sozinho, quando a lembrança de uma mulher que vira havia muito tempo, excitou nele tentação tão violenta, que esteve a ponto de abandonar a solidão. Mas imediatamente, iluminado pela graça de Deus, voltou a si, atirou-se a um arbusto de urtigas e nelas rolou durante muito tempo, nu; quando se retirou, o corpo lhe sangrava. As dores do corpo preveniram as da alma e a dor apagou a voluptuosidade. O fruto que colheu dessa vitória foi que, desde então, não teve semelhantes tentações.

Seu nome tornou-se célebre. Muitas pessoas deixaram o mundo e se reuniram sob sua direção. Pouco distante de Sublac, havia um mosteiro, cujo abade havia morrido. A comunidade, por sufrágio unânime elegeu Bento para ser-lhe o sucessor. Os religiosos vieram procurá-lo e lhe pediram que aceitasse o encargo da direção do mosteiro. Bento recusou-se durante muito tempo, dizendo que não havia compatibilidade de modos de agir. Mas, finalmente, cansado pelos importunos, concordou em aceitar o cargo de abade. Bem depressa se arrependeram da escolha que haviam feito, porque Bento queria que se sujeitassem a viver de acordo com o estado, obrigava-os a isso e os corrigia. Olhavam-no, então, como um homem sem experiência, duro e sem misericórdia, pouco indicado para dirigir os outros. Dissimularam, todavia, a cólera, no começo. Mas, vendo que a severidade continuava na mesma intensidade, e achando insuportável deixar os antigos hábitos, tomaram unanimemente a decisão de se desfazerem dele, dando-lhe vinho envenenado.

Quando ele estava à mesa, apresentaram-lhe, para benzer, o primeiro copo, que era para ele. Todos, segundo o costume do mosteiro, segurando nas mãos os copos, esperavam a bênção, que era para todos, ao mesmo tempo. Bento estendeu a mão e fez o sinal da cruz. Imediatamente, o copo, no qual se encontrava a bebida mortífera, quebrou-se como se nele tivesse sido atirada uma pedra. O homem de Deus compreendeu logo de que se tratava. E, levantando-se da mesa, disse aos monges, com expressão tranquila:
– Que Deus Todo-Poderoso tenha piedade de vós, meus irmãos! Por que me quisestes tratar dessa forma? Não vos disse que nossos costumes eram incompatíveis? Ide procurar um superior que vos convenha: não me tereis no futuro.

Tendo-lhes assim falado, retornou para a querida solidão. Era pelo ano de 510.

Suas virtudes e seus milagres atraíram tantos discípulos para a solidão de Sublac, que ele construiu nos arredores doze mosteiros, em cada um dos quais colocou doze monges sob a direção de um abade submetido à sua supervisão. Ainda conhecemos os lugares e os nomes desses mosteiros. A reputação de São Bento passou para Roma, de onde se estendeu para as províncias mais afastadas. Os mais nobres dessa cidade e as pessoas de piedade vinham vê-lo na solidão. Alguns lhes deram seus filhos, não para os educar na ciência das artes vãs e inúteis, mas para formá-los na virtude e na piedade. As atas de São Plácido se referem a isso como sendo no ano de 522.

Nesse ano, e durante os seguintes, São Bento operou várias maravilhas, que os biógrafos tiveram o cuidado de relatar. Entre esses autores, o principal é o papa São Gregório o Grande, que escreveu a vida do santo, com o testemunho de seus discípulos imediatos.

Bento partiu de Sublac e foi para Cassino, pequena cidade sobre a encosta de alta montanha no país dos samnitas. Havia no cume da montanha um antigo templo de Apolo, que os camponeses ainda adoravam. E ao redor, bosques consagrados ao ídolo, onde faziam sacrifícios. Foi lá que Bento se fixou. Quebrou o ídolo, derrubou o altar, os bosques e construiu um oratório de São Martinho, no templo mesmo de Apolo e de São João, no lugar onde estavam o altar dos ídolos e iniciou um trabalho de instrução da religião verdadeira para todo o povo das vizinhanças. Trabalhou, depois, no alojamento dos religiosos, que não tinham outro arquiteto senão ele mesmo, nem outros operários que os próprios monges. Segundo se afirma, a fundação desse mosteiro foi por volta de 529. Mas tudo isso não foi sem suportar, como outrora acontecera a Santo Antão, inúmeros assaltos do espírito maligno. Várias vezes ele apareceu ao santo, não em sonho, mas a olhos vistos, sob formas horríveis, com olhos flamejantes, dizendo-lhe injúrias, lamentando-se com grandes gritos de violência.

O número dos discípulos aumentava dia a dia. São Bento deu-lhes, então, uma regra, julgada tão sábia, que, com o decorrer do tempo, foi aceita em todos os mosteiros do Ocidente, como a de São Basílio foi nos do Oriente.

A vida monástica não tem por fim observar apenas os preceitos do Evangelho, mas ainda os conselhos, a saber: a continência perfeita, a pobreza voluntária, a obediência religiosa. Os preceitos obrigam todos os cristãos; os conselhos de perfeição são apenas para os que desejam praticá-los e para aqueles chamados por Deus.

São Bento terminou a regra dizendo que a redigira, para dar, aos que a praticassem, princípios de uma vida honesta e alguns começos das virtudes religiosas; que os que desejassem tender à perfeição, encontrariam as regras nas Conferências de Cassiano, nas Vidas dos Padres e na Regra de São Basílio. Vê-se que ele mesmo havia bebido nessas fontes, para se aperfeiçoar e para formar a legislação que legou aos discípulos. O papa São Gregório, o Grande, encontrou-a escrita com pouca clareza e prudência. Conta-se que um príncipe, Cosme de Médicis, a lia assiduamente, e que, interrogado a esse respeito, respondeu que os preceitos lhe pareciam muito apropriados, pela sabedoria que continham, para ajudá-lo a bem governar seus Estados.

São Bento terminou tranquilamente os dias em meio a guerras e revoluções na Itália. Tinha uma irmã chamada Escolástica, cuja vida vimos no dia 10 de fevereiro. São Bento não viveu muito tempo após a morte da irmã. No mesmo ano, em 543, predisse a alguns dos discípulos que com ele moravam sua morte, pedindo-lhes guardassem segredo. A outros mais afastados, deu sinais, que lhes indicariam ter chegado ao fim. Seis dias antes de falecer, mandou que abrissem a sepultura. Foi, então, acometido de febre violenta, que aumentava dia a dia. No sexto dia, fez com que o levassem para o oratório, onde recebeu o Corpo e o Sangue do Senhor. E, erguendo os olhos e as mãos para o céu, entre os braços dos discípulos que o sustentavam, entregou o espírito a Deus, orando, no dia 21 de março de 543, um sábado, aos 63 anos de idade. Foi enterrado no oratório de São João Batista, que construira em lugar do altar de Apolo. Na caverna de Sublac que habitara, operou inúmeros milagres.

Referência:
ROHRBACHER, Padre. Vida dos santos: Volume V. São Paulo: Editora das Américas, 1959. Edição atualizada por Jannart Moutinho Ribeiro; sob a supervisão do Prof. A. Della Nina. Adaptações: Equipe Pocket Terço. Disponível em: obrascatolicas.com. Acesso em: 21 jun. 2021.

São Bento de Núrsia, rogai por nós!

Como ganhar indulgências plenárias ou parciais

Doutrina
Teologia
Aprenda a lucrar indulgências para si e para as almas do Purgatório
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz.

O que são as indulgências?
O tema das indulgências para muitos católicos ainda hoje é desconhecido ou pouco entendido. Este é o motivo pelo qual poucos são os que aproveitam as abundantes graças que o Senhor Todo-Poderoso concede aos fiéis por sua Santa Igreja. Certamente, você ficará surpreso ao perceber que a graça das indulgências está mais disponível do que, em geral, se pensa e que se não aproveitamos este dom de Deus é por negligência própria.
Antes de falar das indulgências faz-se necessário relembrar alguns pontos da doutrina Católica para bem compreender sua finalidade e importância. O primeiro deles refere-se ao livre-arbítrio do homem em poder rejeitar a Deus, sua Revelação, seu amor e bondade, sua graça e todos os meios ordinários de santificação confiados à Santa Igreja. Este ato de rejeição, de revolta  à vontade divina é o que chamamos de pecado.
Deste modo, o pecado constitui uma ofensa ao amor infinito de Deus e, como sabemos, para todo ato há consequências, no caso do pecado, além da culpa por tê-lo cometido há também a pena que ele acarreta. A culpa nos é perdoada pelo sacramento da Penitência (confissão), já a pena, precisamos satisfazer nesta vida com boas obras, jejuns, esmolas, mortificações, orações e indulgências para reparar o mal causado pelo pecado, visto que ofendemos a infinita dignidade de Deus, Nosso Senhor e Criador.
Não se trata apenas de um dever de justiça, mas principalmente de um ato de amor. Reparar o mal causado para com Aquele que tanto nos ama. Assim, por meio da Santa Igreja Católica, a guardiã e dispensadora das graças de Deus, podemos satisfazer com perfeição essas penas devidas pelo pecado e fortalecer nossa íntima união de amor com Jesus Cristo, nosso Salvador, pelas indulgências.
A Igreja define que “indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. [1]
A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados. Todos os fiéis podem alcançar indulgências para si mesmos ou aplicá-las em favor dos defuntos [2]. A intenção da Igreja ao conceder as indulgências é auxiliar a nossa incapacidade de expiar neste mundo toda a pena temporal e facilitar o acesso a essa graça, por elas se satisfaz a justiça divina mais depressa e mais facilmente se alcança o Céu [3]. Aquelas pessoas que se salvaram sem expiar totalmente essas penas durante a vida, passarão pelo Purgatório até que estejam completamente purificadas para que depois possam entrar na bem-aventurança eterna.
Com a explicação apresentada até aqui, compreendemos o quanto é importante alcançar indulgências durante a vida, seja para si ou para alguém já falecido. Como ensina São João, se estamos em comunhão com Cristo, caminhamos na luz e também estamos em comunhão uns com os outros, de tal modo que o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (cf. 1 Jo 1, 7). Esta comunhão reflete a perfeita união entre a Igreja triunfante no Céu, a padecente no Purgatório e a peregrina (militante) na terra, que constitui uma só Igreja, um só corpo do qual Jesus Cristo é a cabeça, sendo o mesmo espírito que as anima e as une [4].    
Sendo assim, nós que estamos peregrinando neste mundo, podemos e devemos ajudar aqueles irmãos que padecem no Purgatório, com nossas boas obras e orações, a satisfazerem suas penas, visto que eles nada podem fazer por si mesmos. E para aplicar as satisfações abundantes que Jesus Cristo alcançou por sua Paixão e Morte na cruz, a Igreja estabeleceu algumas condições específicas para dispensar este tesouro aos fiéis. É o que veremos a seguir.
Condições para lucrar indulgência
Para se lucrar indulgência plenária é preciso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Requer fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice, o Papa. As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita, mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Papa se façam no mesmo dia em que se faz a obra [5]. Também é importante lembrar que para receber a Sagrada Comunhão é preciso estar em estado de graça.    
Com uma só confissão podem ganhar-se várias indulgências, mas com uma só comunhão e uma só oração alcança-se uma só indulgência plenária [6]. As orações nas intenções do Papa cumprem-se rezando um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, mas é facultado a todos os fiéis rezar qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Romano Pontífice [7].
Se faltar a devida disposição de rejeitar todo apego ao pecado, ou não se cumprem as condições necessárias, a indulgência será parcial [8]. Sem dúvida, este é o aspecto mais importante, cumprir as condições necessárias não é tão difícil, mas desapegar-se de toda a afeição ao pecado é uma luta para todos nós, graça que alcançamos com muitas orações e penitências. Também é importante dizer que a indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia, enquanto a parcial mais de uma vez [9] e qualquer fiel pode lucrar indulgência para si mesmo ou aplicá-la aos defuntos como sufrágio. [10]
Tende compaixão das pobres almas do Purgatório
As pobres almas do Purgatório precisam de nós. Por isso, de modo especial, a Igreja concede um período de oito dias, de 1 a 8 de novembro, para lucrarmos indulgências plenárias em sufrágio das almas dos fiéis falecidos. Cumpridas as condições já mencionadas, temos a oportunidade de obter uma indulgência plenária por dia, aplicável apenas às almas do Purgatório, visitando devotamente um cemitério e rezando, mesmo em espírito, pelos defuntos. [11]
Na comemoração dos fiéis defuntos, dia 2 de novembro, não é necessário visitar o cemitério, apesar de ser um costume piedoso, a Igreja ensina que para lucrar indulgência basta cumprir as condições de costume e visitar piedosamente uma igreja ou oratório para recebê-la, aplicada apenas aos defuntos [12]. Também podemos recitar a oração: “Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém”. Neste caso a indulgência é parcial, também aplicável apenas às almas do Purgatório.
Lembremo-nos que o Purgatório é um lugar de expiação, onde aqueles que morrem na amizade com Deus passam por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos [13]. Os cristãos podem ajudar a abreviar este período de purificação, não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles. [14] 
Vamos, portanto, recapitular as condições para lucrar indulgências de 01 a 08 de novembro:
1. Uma confissão para os oito dias;
2. Visitar um cemitério e rezar pelas almas (opcional no dia 02 de novembro, bastando a visita a uma igreja);
3. Uma comunhão por dia;
4. Recitar as orações nas intenções do Papa (Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória)
Práticas e orações que a Igreja concede indulgências
Das várias orações e práticas em que a Igreja Católica dispensa a graça das indulgências, citaremos algumas para que o fiel, conhecendo-as, possa viver mais profundamente a fé e usufruir deste dom que Deus concede por sua bondade.  [15]
1. A Igreja concede indulgência plenária a todo fiel que o recitar o hino “Te Deum” em ação de graças em público no último dia do ano.
2. A indulgência também será plenária se o fiel recitar devotamente o hino “Veni Creator” no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes.
3. Concede-se indulgência plenária ao fiel que, na sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor, toma parte piedosamente na adoração da Cruz da solene ação litúrgica.
4. Concede-se indulgência plenária aos fiéis que se aproximarem pela primeira vez da Sagrada Comunhão ou que assistem a outros que se aproximam.
5. Concede-se indulgência plenária ao sacerdote que, em dia marcado, celebra sua primeira missa, diante do povo, e aos fiéis que devotamente a ela assistem.
6. A récita do Santo Rosário na igreja ou oratório ou em família, na comunidade religiosa ou em piedosa associação, indulgência plenária, em outras circunstâncias parcial. Também é possível lucrar indulgência plenária recitando o Terço. Basta rezar as cinco dezenas juntas, com piedosa meditação acompanhada da oração vocal. Na recitação pública, devem-se anunciar os mistérios, conforme o costume aprovado do lugar, na recitação privada, basta que o fiel ajunte a meditação dos mistérios à oração vocal.
7. A visita ao Santíssimo Sacramento para adorá-lo a indulgência é parcial, se o fizer por ao menos meia hora, a indulgência será plenária.
8. Concede-se indulgência parcial ao fiel que ler a Sagrada Escritura, com a veneração devida à palavra divina, e a modo de leitura espiritual. A indulgência será plenária, se o fizer pelo espaço de pelo menos meia hora.
9. Ao fiel que renovar as promessas do batismo concede-se indulgência parcial; e ganhará indulgência plenária, se o fizer na celebração da Vigília Pascal ou no aniversário de seu batismo.
10. O fiel cristão que usa objetos de piedade (crucifixo ou cruz, rosário, escapulário, medalha) devidamente abençoados por qualquer sacerdote ou diácono, ganha indulgência parcial.
Deste rico tesouro que a Santa Igreja dispõe apresentamos apenas algumas práticas e orações piedosas acessíveis a todos os cristãos, as graças que elas conferem podem ser aplicadas em favor próprio ou dos defuntos. De fato, não sabemos ao certo onde estão as almas dos nossos familiares e amigos já falecidos, mas isso não impede de rezarmos por elas e oferecermos nossas indulgências e orações, auxiliar as almas do purgatório a satisfazer suas penas para poderem estar na presença de Deus no Céu é uma grande obra de misericórdia espiritual. Sejamos então generosos para com essas pobres almas, pois em breve podemos estar na mesma condição que elas.
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém.
Referências:
[1] CIC, 1471.
[2] Ibid.
[3] Catecismo Maior de São Pio X, nº 800, 801.
[4] Catecismo Maior de São Pio X, nº 146, 147.
[5] Indulgentiarum Doctrina, 7, 8.
[6] Manual de Indulgências, 23, § 2.
[7] Indulgentiarum Doctrina, 10.
[8] Manual de Indulgências, 23, § 4.
[9] Ibid, 21.
[10] Ibid, 4.
[11] Ibid, Concessões, 13.
[12] Indulgentiarum Doctrina, 15.
[13] CIC, 1030, 1031.
[14] Ibid, 1032.
[15] Manual de Indulgências, Concessões.
Fonte: padrealexnogueira.com