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Liturgia Diária

SÁBADO, DIA 11 DE ABRIL DE 2026

OITAVA DA PÁSCOA
Cor Litúrgica branca

Primeira leitura
— At 4, 13-21
Leitura dos Atos dos Apóstolos
Naqueles dias, os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas, 13ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheciam que eles tinham estado com Jesus. 14No entanto viam, de pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário.
15Mandaram que saíssem para fora do Sinédrio, e começaram a discutir entre si: 16“O que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre claríssimo, e o fato tornou-se de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negá-lo. 17Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus”. 18Chamaram de novo Pedro e João e ordenaram-lhes que, de modo algum, falassem ou ensinassem em nome de Jesus. 19Pedro e João responderam: “Julgai vós mesmos, se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós e não a Deus! 20Quanto a nós, não nos podemos calar sobre o que vimos e ouvimos”.
21Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los, por causa do povo. Pois todos glorificavam a Deus pelo que havia acontecido.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

Salmo Responsorial — Sl 117(118),1 e 14-15.16ab-18.19-21 (R. 21a)
R. Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
– Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!” O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. “Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis.
R. Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
– A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas!” O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte.
R. Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
– Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; quero entrar para dar graças ao Senhor! “Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!” Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes e vos tornastes para mim o Salvador!
R. Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
– Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos! (Sl 117, 24) 
– Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho — Mc 16, 9-15
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Marcos 
– Glória a vós, Senhor.
Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. 10Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. 11Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar.
12Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. 13Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. 14Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado.
15E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!”
– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

SANTO DO DIA
Santa Gemma Galgani, Virgem (Memória Facultativa)

Local: Lucca, Itália
Data: 11 de Abril † 1903

Em 12 de março de 1878, no pitoresco vilarejo de Borgonuovo di Camigliano, próximo a Lucca, nascia uma criança extraordinária. Era a primeira menina entre os oito filhos do farmacêutico Enrico Galgani e Aurelia Landi. Um tio sugeriu que a menina fosse chamada de Gemma, mas a mãe relutou, alegando não haver nenhuma santa com esse nome para interceder por sua filha. Um sacerdote, ao presenciar a discussão, interveio, lembrando que “Gemma”, de origem latina, significa “pedra preciosa”, e acrescentou: “Há muitas gemas no céu; esperemos que ela também seja um dia outra gema no Paraíso.” Essas palavras se revelaram proféticas, pois a menina seria batizada no dia seguinte e um dia seria conhecida como Santa Gemma Galgani.

Desde muito pequena, Gemma aprendeu com a mãe a rezar. Sua mãe era uma dona de casa muito piedosa, e junto com as primeiras palavras, a menina já aprendia a rezar para o Papai do Céu. Sua atração pela vida espiritual era evidente e, desde cedo, demonstrava grande interesse pela religião, tanto que alguns parentes a encontraram no quarto, rezando de joelhos diante de uma imagem da Virgem Maria. Gemma tinha apenas quatro anos. Ao perguntarem o que ela estava fazendo, a menina disse: “Estou rezando a Ave Maria. Estou em oração.” Dotada de uma inteligência excepcional, absorvia os ensinamentos com facilidade e rapidez. Aos cinco anos, já conseguia ler no breviário o Ofício de Nossa Senhora e dos defuntos, sempre ansiosa para ouvir as histórias de Jesus contadas por sua mãe.

Entretanto, a saúde frágil de sua mãe era motivo de preocupação. No dia de sua confirmação, Gemma ouviu uma voz interior perguntando se ela ofereceria sua mãe a Deus. Sem hesitar, respondeu afirmativamente, desde que também fosse levada junto. A voz lhe disse para esperar junto ao pai e que mais tarde a levaria para o céu. Esse sinal marcou o início de uma jornada de entrega total a Deus, que incluiria o sofrimento pela salvação das almas. Como previsto pela voz, a mãe de Gemma adoeceu gravemente e faleceu pouco depois.

Incapaz de cuidar da menina devido às suas obrigações, o pai a matriculou como seminterna na escola das Irmãs de Santa Zita, em Lucca, fundada pela Beata Elena Guerra. Gemma destacou-se como aluna exemplar, dedicando-se especialmente ao estudo da religião. Seu desempenho acadêmico era notável, mas sua maior preocupação estava na vida espiritual, onde sua influência positiva sobre as colegas era evidente. Uma de suas professoras afirmou que Gemma era a alma da escola.

Nesse ponto de sua vida, o maior desejo de Gemma era receber a primeira comunhão. Insistia com as freiras para que lhe permitissem participar desse sacramento tão aguardado. Naquela época, não era comum que crianças recebessem a primeira comunhão, mas Gemma estava determinada. Ela dizia: “Dê-me Jesus e verá como serei boa. Mudarei completamente. Não cometerei mais nenhum pecado. Dê-me Jesus. Eu o desejo tanto que não consigo viver sem Ele.” Aos nove anos, o Bispo de Lucca, Monsenhor Giovanni Volpi, autorizou sua primeira comunhão, reconhecendo sua pureza de coração. Gemma fez um retiro de 15 dias em um convento de freiras, onde, ao ouvir a narrativa da Paixão de Cristo, sentiu profundas dores e uma febre alta. Em 17 de junho de 1887, na festa do Sagrado Coração de Jesus, Gemma recebeu sua primeira Eucaristia com a presença solene de seu pai, tornando-se um dos dias mais felizes de sua vida.

Em 1894, Gemma enfrentou a perda de seu irmão Gino, que aspirava a ser sacerdote. Três anos depois, outra provação se abateu sobre ela com o diagnóstico de câncer na garganta de seu pai. Gemma continuou os estudos no colégio das freiras, mas aos 19 anos, enquanto seu pai enfrentava sérias dificuldades financeiras, veio a falecer devido ao câncer. A família, agora sem recursos e enfrentando a miséria, sofreu um golpe devastador. Ainda com o pai em seu leito de morte, os credores tomaram tudo o que restava da família, deixando seus irmãos na miséria. Gemma confidenciou: “Chegaram a ponto de meter as mãos nos meus bolsos, levando as cinco ou seis moedas, apenas uns centavos, que eu guardava comigo.”

Com a família em ruínas, ela não podia ajudar devido à sua saúde precária. A meningite a deixou surda por um tempo, e uma curvatura na espinha dorsal causava-lhe dores intensas. Acrescentando-se à perda do pai e à miséria, Gemma sofreu imensamente. A família se dispersou; um irmão partiu para o Brasil, onde veio a falecer, enquanto Gemma foi viver com tios em Capannori, próxima a Lucca.

Seu desejo era ingressar no convento das Irmãs Passionistas e se consagrar a Jesus, mas suas doenças a impediam de sair de casa. Para piorar, abscessos se formaram em sua cabeça, e ela perdeu os cabelos. Os médicos não conseguiam curá-la; nenhum tratamento surtia efeito. Pouco tempo depois, ficou paralisada aos 20 anos, parecendo que sua vida chegaria ao fim.

Apesar das doenças e dores insuportáveis, Gemma não descuidava de sua vida de oração. Devorava as histórias de santos e dedicava-se à oração. São Gabriel da Virgem Dolorosa, um santo passionista, foi quem mais a impressionou. Ela mesma escreveu: “Comecei a admirar suas virtudes e seus hábitos. Minha devoção por ele crescia. À noite, eu não dormia sem ter sua imagem debaixo do travesseiro, e depois disso passei a vê-lo perto de mim. Não sei como explicar isso, mas eu sentia a sua presença a cada momento e em cada ação. O irmão Gabriel vinha à minha mente.”

No dia 23 de fevereiro de 1899, à noite, ela ouviu o ruído de um rosário. Olhou para o lado de onde vinha o ruído e viu São Gabriel. Ele lhe disse: “Vê como o teu sacrifício foi agradável? Eu mesmo vim ver-te. Você quer ficar curada? Reze com fé toda a noite a novena ao Sagrado Coração de Jesus. Eu virei até a novena terminar e rezarei com você a este sacratíssimo Coração.” Enquanto transcorriam os dias da novena, Gemma melhorava inexplicavelmente. No último dia, ela estava totalmente curada. A família estava em volta de seu leito para rezar a última parte da novena. Ao terminar, Gemma levantou-se. Todos choravam de alegria pelo grande milagre.

Além disso, o anjo da guarda de Gemma era uma presença constante, incentivando-a em suas virtudes. Era ele quem se encarregava de transportar suas correspondências para o céu ou para seu diretor espiritual. Gemma escrevia suas cartas e seu anjo da guarda as recolhia e as entregava aos destinatários.

Pouco tempo depois, em 8 de junho de 1899, desfrutando de uma saúde perfeita, Gemma recebeu uma graça especial ao receber a comunhão. Uma voz interior lhe anunciou que algo extraordinário estava prestes a acontecer: “Meu Filho Jesus te ama sem medida e deseja te dar uma graça. Eu serei uma mãe para ti. Serás uma verdadeira filha.” Nossa Senhora então abriu seu manto e cobriu Gemma com ele. Naquele momento, Jesus apareceu com todas as suas chagas abertas, mas daquelas chagas não saía sangue, e sim chamas de fogo. Num instante, aquelas chamas vieram tocar suas mãos, seus pés e seu coração. Sentiu como se estivesse morrendo e teria caído no chão se sua Mãe não a tivesse segurado. Enquanto permaneceu sob o manto de Maria, ficou várias horas naquela posição. Finalmente, Ela beijou sua testa. Tudo desapareceu, e Gemma se viu de joelhos, mas sentia uma dor forte nas mãos, pés e coração. Levantou-se para ir para a cama quando percebeu que saía sangue dessas partes onde sentia dor. Cobriu as feridas o melhor que pôde, ajudada por seu anjo, e então pôde ir para a cama.

Inúmeras testemunhas, incluindo renomados membros do clero, presenciaram esse milagre dos estigmas de Cristo no corpo de Santa Gemma, que se repetia semanalmente, das tardes de quinta-feira até por volta das 15 horas de sexta-feira. Depois disso, as feridas sempre se fechavam, deixando apenas cicatrizes. As marcas eram evidentes: pulsos e pés perfurados, a cabeça marcada pelas feridas da coroa de espinhos, além das cicatrizes das chibatadas nas costas e uma ferida proeminente no ombro, que correspondia à ferida de Jesus ao levar a cruz.

Apesar dos esforços para ocultar as chagas, logo foram descobertas, transformando Gemma em alvo de insultos e acusações. Rotulada de farsante e histérica, enfrentou um período desafiador. Até mesmo seu confessor, Monsenhor Giovanni Volpi, chegou a duvidar dos estigmas.

Ao completar 21 anos, seus irmãos não podiam mais sustentá-la, pois a fama da família Galgani estava arruinada. Conseguiram então que Gemma fosse acolhida pela generosa família Giannini, farmacêuticos locais. Ajudando nos afazeres domésticos, principalmente auxiliando a senhora Cecília Giannini, Gemma demonstrou uma eficiência notável, realizando suas tarefas com rapidez para dedicar todo o tempo livre à oração. Frequentava a missa diariamente e comungava. A senhora Giannini, em testemunho posterior, afirmou: “Posso jurar que durante os 3 anos e 8 meses que Gemma esteve conosco, eu nunca soube do menor problema em nossa família que fosse por ela, e nunca vi nela o menor defeito. Repito: nem o menor problema, nem o menor defeito.”

Nesse período, Gemma encontrou seu diretor espiritual, Padre Germano Ruoppolo, da Congregação dos Padres Passionistas, que reconhecendo sua profunda vida de oração e sua estreita união com Deus, a considerava uma joia de Cristo já avançada em sua espiritualidade. Foi ele quem a encorajou a registrar tudo o que experimentava durante as aparições, que totalizaram cerca de 150 ao longo de sua vida. Padre Germano testemunhou Gemma em êxtase, dialogando com Jesus e Nossa Senhora, intercedendo para que a Mãe de Deus contivesse o braço de seu Filho sobre algum pecador. Em muitas ocasiões, após esses êxtases, alguém vinha em profundo arrependimento buscar o Padre Germano para se confessar. Ele também foi o biógrafo de Santa Gemma, recebendo elogios do Papa Pio X pela obra.

Apesar do sofrimento causado pelos estigmas, Gemma encontrava consolo em seu anjo da guarda. Em conversas íntimas, compartilhavam orações e reflexões. Certa vez, o anjo lhe disse: “Olha para o que Jesus sofreu pelos homens. Considera uma por uma estas chagas. Foi o amor que abriu todas elas. Veja como o pecado é horrível, já que, para expiá-lo, tanta dor e tanto amor foram necessários.”

Além de enfrentar o escárnio na cidade e a desconfiança de seu confessor, Gemma também encarou o ódio do demônio, que muitas vezes aparecia na forma de um cão feroz que lhe mordia ou de outras criaturas monstruosas. Após esses ataques, era Jesus Cristo quem vinha e curava todas as feridas.

A pedido de Padre Germano, Gemma começou a escrever um diário sobre sua vida espiritual. No entanto, o demônio interveio e levou o diário para o inferno, só o devolvendo após o padre realizar um exorcismo diante do túmulo de São Gabriel da Virgem Dolorosa. O documento, todo chamuscado pelo fogo, permanece exposto na residência da família Giannini.

Em 1902, Santa Gemma, que desfrutava de boa saúde desde sua cura milagrosa, decidiu se oferecer como vítima expiatória pela salvação das almas. Sua oferta foi aceita por Jesus. Subitamente, ela adoeceu gravemente, sem apetite e incapaz de se levantar da cama. Os médicos não conseguiam diagnosticar sua enfermidade, mas, tão repentinamente quanto chegara, a doença desapareceu. Gemma recuperou-se e voltou à sua rotina.

Em 21 de setembro de 1902, ela começou a tossir violentamente, expelindo sangue. Ao mesmo tempo, foi envolvida por uma aridez espiritual total: não mais experimentava consolações nem graças palpáveis em sua vida de oração. A tentação a acometia, sugerindo que fora abandonada por Jesus. Em meio a essas batalhas espirituais, ela clamava incessantemente pelos nomes de Jesus e Maria.

Sobre esse período terrível de sofrimento e tentações, seu diretor espiritual, Padre Germano, escreveu: “A pobre sofredora passou dias, semanas e meses desse modo, dando-nos um exemplo de paciência heroica e razões para um medo saudável pelo que pode acontecer conosco, que não temos os méritos de Gemma na terrível hora da morte.”

Apesar do sofrimento aparentemente interminável, ela nunca se queixou. Sua fé permanecia inabalável, mesmo diante da aridez espiritual e da sensação de abandono. Mantinha-se em constante oração. Enquanto sua doença progredia, tornando-a esquelética, sua beleza interior e exterior persistiam, irradiando pureza de alma.

À medida que sua situação se agravava, Padre Germano lhe ministrou a extrema unção. Em 11 de abril de 1903, todos perceberam que o fim se aproximava e cercaram seu leito de morte. Segurando o crucifixo, Gemma proferiu: “Agora é mesmo verdade que não me resta mais nada. Jesus, eu recomendo a minha pobre alma a ti.” Em seguida, dirigindo-se a uma imagem da Virgem Santíssima, suplicou: “Minha Mãe, encomende a minha pobre alma a Jesus. Dizei a Ele que tenha misericórdia de mim.” Essas foram suas últimas palavras. Com um largo sorriso, inclinou a cabeça para o lado e expirou.

Gemma partiu em serenidade tão pacífica que muitos acreditavam que ela apenas adormecera. Contudo, seu coração havia cessado de bater. Era o Sábado Santo. Aos jovens 25 anos, ela deixava este mundo.

Ao longo de sua vida, nutriu um grande desejo: consagrar-se a Deus na Congregação das Irmãs Passionistas. Apesar de ter sido recusada mais de 20 vezes devido às suas doenças, seu desejo foi realizado após sua morte. As Irmãs Passionistas de Lucca a receberam oficialmente na congregação, e ela foi sepultada com o hábito de freira passionista.

Em 24 de abril do mesmo ano, uma comissão médica realizou a autópsia do corpo de Santa Gemma. Uma descoberta impressionante aguardava os especialistas: seu coração parecia vivo, repleto de sangue e flexível. Colocado em um relicário, permanece intacto até hoje. Suas relíquias são veneradas na capela do convento das Irmãs Passionistas de Lucca.

Durante sua vida, Gemma viveu de forma discreta e simples, permanecendo praticamente desconhecida. Foi somente após sua morte que seu valor foi reconhecido. Padre Germano e outros recolheram as magníficas cartas que ela escreveu ao longo de sua vida. Nessas cartas, revela-se a profunda experiência de Gemma com Jesus, refletindo sua ardente teologia do amor de Deus.

Para Gemma, o amor de Deus não era apenas uma emoção, mas uma resposta ao amor de Cristo manifestado em sua Palavra. Ela aspirava a compartilhar os sofrimentos de Jesus, a ponto de se tornar uma vítima expiatória por amor aos pecadores. Essa foi sua missão: salvar os pecadores, não por meio de palavras ou ensinamentos, mas com sua própria vida.

A reputação de santidade de Gemma já existia quando ela morreu, mas somente em 1917 seu processo de beatificação foi iniciado. Testemunhos sob juramento foram coletados, todos destacando suas virtudes heroicas. Os milagres oficialmente confirmados por juntas médicas ratificaram sua santidade.

Em 1933, ela foi beatificada pelo Papa Pio XI (não Pio X, como alguns relatos afirmam). Embora tenha havido alguma oposição à sua beatificação e canonização, o Papa enfatizou que Gemma seria beatificada não por suas visões, mas por sua vida santa e exemplar. Em 2 de maio de 1940, ela foi canonizada na Basílica de São Pedro, em Roma, pelo Papa Pio XII.

Santa Gemma foi declarada padroeira dos farmacêuticos e de todos que trabalham em farmácias, além de modelo para a juventude. Foi contemporânea de outros dois grandes santos: Santa Teresinha do Menino Jesus e São Padre Pio de Pietrelcina. Podemos ver em Gemma o amor de Santa Teresinha e os dons místicos de Padre Pio.

Santa Gemma Galgani, rogai por nós!

Como ganhar indulgências plenárias ou parciais

Doutrina
Teologia
Aprenda a lucrar indulgências para si e para as almas do Purgatório
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz.

O que são as indulgências?
O tema das indulgências para muitos católicos ainda hoje é desconhecido ou pouco entendido. Este é o motivo pelo qual poucos são os que aproveitam as abundantes graças que o Senhor Todo-Poderoso concede aos fiéis por sua Santa Igreja. Certamente, você ficará surpreso ao perceber que a graça das indulgências está mais disponível do que, em geral, se pensa e que se não aproveitamos este dom de Deus é por negligência própria.
Antes de falar das indulgências faz-se necessário relembrar alguns pontos da doutrina Católica para bem compreender sua finalidade e importância. O primeiro deles refere-se ao livre-arbítrio do homem em poder rejeitar a Deus, sua Revelação, seu amor e bondade, sua graça e todos os meios ordinários de santificação confiados à Santa Igreja. Este ato de rejeição, de revolta  à vontade divina é o que chamamos de pecado.
Deste modo, o pecado constitui uma ofensa ao amor infinito de Deus e, como sabemos, para todo ato há consequências, no caso do pecado, além da culpa por tê-lo cometido há também a pena que ele acarreta. A culpa nos é perdoada pelo sacramento da Penitência (confissão), já a pena, precisamos satisfazer nesta vida com boas obras, jejuns, esmolas, mortificações, orações e indulgências para reparar o mal causado pelo pecado, visto que ofendemos a infinita dignidade de Deus, Nosso Senhor e Criador.
Não se trata apenas de um dever de justiça, mas principalmente de um ato de amor. Reparar o mal causado para com Aquele que tanto nos ama. Assim, por meio da Santa Igreja Católica, a guardiã e dispensadora das graças de Deus, podemos satisfazer com perfeição essas penas devidas pelo pecado e fortalecer nossa íntima união de amor com Jesus Cristo, nosso Salvador, pelas indulgências.
A Igreja define que “indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. [1]
A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados. Todos os fiéis podem alcançar indulgências para si mesmos ou aplicá-las em favor dos defuntos [2]. A intenção da Igreja ao conceder as indulgências é auxiliar a nossa incapacidade de expiar neste mundo toda a pena temporal e facilitar o acesso a essa graça, por elas se satisfaz a justiça divina mais depressa e mais facilmente se alcança o Céu [3]. Aquelas pessoas que se salvaram sem expiar totalmente essas penas durante a vida, passarão pelo Purgatório até que estejam completamente purificadas para que depois possam entrar na bem-aventurança eterna.
Com a explicação apresentada até aqui, compreendemos o quanto é importante alcançar indulgências durante a vida, seja para si ou para alguém já falecido. Como ensina São João, se estamos em comunhão com Cristo, caminhamos na luz e também estamos em comunhão uns com os outros, de tal modo que o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (cf. 1 Jo 1, 7). Esta comunhão reflete a perfeita união entre a Igreja triunfante no Céu, a padecente no Purgatório e a peregrina (militante) na terra, que constitui uma só Igreja, um só corpo do qual Jesus Cristo é a cabeça, sendo o mesmo espírito que as anima e as une [4].    
Sendo assim, nós que estamos peregrinando neste mundo, podemos e devemos ajudar aqueles irmãos que padecem no Purgatório, com nossas boas obras e orações, a satisfazerem suas penas, visto que eles nada podem fazer por si mesmos. E para aplicar as satisfações abundantes que Jesus Cristo alcançou por sua Paixão e Morte na cruz, a Igreja estabeleceu algumas condições específicas para dispensar este tesouro aos fiéis. É o que veremos a seguir.
Condições para lucrar indulgência
Para se lucrar indulgência plenária é preciso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Requer fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice, o Papa. As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita, mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Papa se façam no mesmo dia em que se faz a obra [5]. Também é importante lembrar que para receber a Sagrada Comunhão é preciso estar em estado de graça.    
Com uma só confissão podem ganhar-se várias indulgências, mas com uma só comunhão e uma só oração alcança-se uma só indulgência plenária [6]. As orações nas intenções do Papa cumprem-se rezando um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, mas é facultado a todos os fiéis rezar qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Romano Pontífice [7].
Se faltar a devida disposição de rejeitar todo apego ao pecado, ou não se cumprem as condições necessárias, a indulgência será parcial [8]. Sem dúvida, este é o aspecto mais importante, cumprir as condições necessárias não é tão difícil, mas desapegar-se de toda a afeição ao pecado é uma luta para todos nós, graça que alcançamos com muitas orações e penitências. Também é importante dizer que a indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia, enquanto a parcial mais de uma vez [9] e qualquer fiel pode lucrar indulgência para si mesmo ou aplicá-la aos defuntos como sufrágio. [10]
Tende compaixão das pobres almas do Purgatório
As pobres almas do Purgatório precisam de nós. Por isso, de modo especial, a Igreja concede um período de oito dias, de 1 a 8 de novembro, para lucrarmos indulgências plenárias em sufrágio das almas dos fiéis falecidos. Cumpridas as condições já mencionadas, temos a oportunidade de obter uma indulgência plenária por dia, aplicável apenas às almas do Purgatório, visitando devotamente um cemitério e rezando, mesmo em espírito, pelos defuntos. [11]
Na comemoração dos fiéis defuntos, dia 2 de novembro, não é necessário visitar o cemitério, apesar de ser um costume piedoso, a Igreja ensina que para lucrar indulgência basta cumprir as condições de costume e visitar piedosamente uma igreja ou oratório para recebê-la, aplicada apenas aos defuntos [12]. Também podemos recitar a oração: “Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém”. Neste caso a indulgência é parcial, também aplicável apenas às almas do Purgatório.
Lembremo-nos que o Purgatório é um lugar de expiação, onde aqueles que morrem na amizade com Deus passam por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos [13]. Os cristãos podem ajudar a abreviar este período de purificação, não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles. [14] 
Vamos, portanto, recapitular as condições para lucrar indulgências de 01 a 08 de novembro:
1. Uma confissão para os oito dias;
2. Visitar um cemitério e rezar pelas almas (opcional no dia 02 de novembro, bastando a visita a uma igreja);
3. Uma comunhão por dia;
4. Recitar as orações nas intenções do Papa (Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória)
Práticas e orações que a Igreja concede indulgências
Das várias orações e práticas em que a Igreja Católica dispensa a graça das indulgências, citaremos algumas para que o fiel, conhecendo-as, possa viver mais profundamente a fé e usufruir deste dom que Deus concede por sua bondade.  [15]
1. A Igreja concede indulgência plenária a todo fiel que o recitar o hino “Te Deum” em ação de graças em público no último dia do ano.
2. A indulgência também será plenária se o fiel recitar devotamente o hino “Veni Creator” no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes.
3. Concede-se indulgência plenária ao fiel que, na sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor, toma parte piedosamente na adoração da Cruz da solene ação litúrgica.
4. Concede-se indulgência plenária aos fiéis que se aproximarem pela primeira vez da Sagrada Comunhão ou que assistem a outros que se aproximam.
5. Concede-se indulgência plenária ao sacerdote que, em dia marcado, celebra sua primeira missa, diante do povo, e aos fiéis que devotamente a ela assistem.
6. A récita do Santo Rosário na igreja ou oratório ou em família, na comunidade religiosa ou em piedosa associação, indulgência plenária, em outras circunstâncias parcial. Também é possível lucrar indulgência plenária recitando o Terço. Basta rezar as cinco dezenas juntas, com piedosa meditação acompanhada da oração vocal. Na recitação pública, devem-se anunciar os mistérios, conforme o costume aprovado do lugar, na recitação privada, basta que o fiel ajunte a meditação dos mistérios à oração vocal.
7. A visita ao Santíssimo Sacramento para adorá-lo a indulgência é parcial, se o fizer por ao menos meia hora, a indulgência será plenária.
8. Concede-se indulgência parcial ao fiel que ler a Sagrada Escritura, com a veneração devida à palavra divina, e a modo de leitura espiritual. A indulgência será plenária, se o fizer pelo espaço de pelo menos meia hora.
9. Ao fiel que renovar as promessas do batismo concede-se indulgência parcial; e ganhará indulgência plenária, se o fizer na celebração da Vigília Pascal ou no aniversário de seu batismo.
10. O fiel cristão que usa objetos de piedade (crucifixo ou cruz, rosário, escapulário, medalha) devidamente abençoados por qualquer sacerdote ou diácono, ganha indulgência parcial.
Deste rico tesouro que a Santa Igreja dispõe apresentamos apenas algumas práticas e orações piedosas acessíveis a todos os cristãos, as graças que elas conferem podem ser aplicadas em favor próprio ou dos defuntos. De fato, não sabemos ao certo onde estão as almas dos nossos familiares e amigos já falecidos, mas isso não impede de rezarmos por elas e oferecermos nossas indulgências e orações, auxiliar as almas do purgatório a satisfazer suas penas para poderem estar na presença de Deus no Céu é uma grande obra de misericórdia espiritual. Sejamos então generosos para com essas pobres almas, pois em breve podemos estar na mesma condição que elas.
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém.
Referências:
[1] CIC, 1471.
[2] Ibid.
[3] Catecismo Maior de São Pio X, nº 800, 801.
[4] Catecismo Maior de São Pio X, nº 146, 147.
[5] Indulgentiarum Doctrina, 7, 8.
[6] Manual de Indulgências, 23, § 2.
[7] Indulgentiarum Doctrina, 10.
[8] Manual de Indulgências, 23, § 4.
[9] Ibid, 21.
[10] Ibid, 4.
[11] Ibid, Concessões, 13.
[12] Indulgentiarum Doctrina, 15.
[13] CIC, 1030, 1031.
[14] Ibid, 1032.
[15] Manual de Indulgências, Concessões.
Fonte: padrealexnogueira.com