Seja bem vindo, seja bem vinda, a paz de Jesus e o amor de Maria Imaculada!
Liturgia Diária
PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
Cor Litúrgica vermelha
Primeira leitura
Is 52,13-53,12
Ele foi ferido
por causa de nossos pecados.
Leitura do Livro do Profeta Isaías 52,13-53,12
13
Ei-lo, o meu Servo será bem sucedido;
sua ascensão será ao mais alto grau.
14
Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo
– tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem
ou ter aspecto humano -,
15
do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos.
Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram.
53,1
Quem de nós deu crédito ao que ouvimos?
E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor?
2
Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta
ou como raiz em terra seca. Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse.
3
Era desprezado como o último dos mortais,
homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.
4
A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades
e sofria, ele mesmo, nossas dores;
e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado!
5
Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados,
esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura.
6
Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas,
cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós.
7
Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca;
como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca.
8
Foi atormentado pela angústia e foi condenado.
Quem se preocuparia com sua história de origem? Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer.
9
Deram-lhe sepultura entre ímpios,
um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal
nem se encontrou falsidade em suas palavras.
10
O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos.
Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor.
11
Por esta vida de sofrimento,
alcançará luz e uma ciência perfeita. Meu Servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas.
12
Por isso, compartilharei com ele multidões
e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte, sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo responsorial
Sl 30(31),2.6.12-13.15-16.17.25 (R. Lc 23,46)
R. Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
2
Senhor, eu ponho em vós minha esperança; *
que eu não fique envergonhado eternamente!
6
Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, *
porque vós me salvareis, ó Deus fiel!
R. Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
12
Tornei-me o opróbrio do inimigo, *
o desprezo e zombaria dos vizinhos,e objeto de pavor para os amigos; *fogem de mim os que me veem pela rua.
13
Os corações me esqueceram como um morto, *
e tornei-me como um vaso espedaçado.
R. Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
15
A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, *
e afirmo que só vós sois o meu Deus!
16
Eu entrego em vossas mãos o meu destino; *
libertai-me do inimigo e do opressor!
R. Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
17
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, *
e salvai-me pela vossa compaixão!
25
Fortalecei os corações, tende coragem, *
todos vós que ao Senhor vos confiais!
R. Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
SEGUNDA LEITURA
Ele aprendeu a ser obediente e tornou-se causa de salvação para todos os que lhe obedecem.
Leitura da Carta aos Hebreus 4,14-16; 5,7-9
Irmãos:
14
Temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu,
Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos.
15
Com efeito, temos um sumo sacerdote
capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado.
16
Aproximemo-nos então, com toda a confiança,
do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.
5,7
Cristo, nos dias de sua vida terrestre,
dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus.
8
Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa
a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu.
9
Mas, na consumação de sua vida,
tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Aclamação ao Evangelho
Fl 2,8-9
R. Louvor e honra a vós, Senhor Jesus.
V. Jesus Cristo se tornou obediente,
obediente até a morte numa cruz; pelo que o Senhor Deus o exaltou e deu-lhe um nome muito acima de outro nome.
EVANGELHO
– O Senhor esteja convosco;
– Ele está no meio de nós;
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João 18,1-19,42
– Glória a Vós, Senhor.
Prenderam Jesus e o amarraram.
Naquele tempo,
1
Jesus saiu com os discípulos
para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos.
2
Também Judas, o traidor, conhecia o lugar,
porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos.
3
Judas levou consigo um destacamento de soldados
e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas.
4
Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer,
saiu ao encontro deles e disse:
“A quem procurais?”
5
Responderam:
“A Jesus, o Nazareno”.
Ele disse:
“Sou eu”.
Judas, o traidor, estava junto com eles.
6
Quando Jesus disse: “Sou eu”,
eles recuaram e caíram por terra.
7
De novo lhes perguntou:
“A quem procurais?” Eles responderam:
“A Jesus, o Nazareno”.
8
Jesus respondeu:
“Já vos disse que sou eu.
Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem”.
9
Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito:
‘Não perdi nenhum daqueles que me confiaste’.
10
Simão Pedro, que trazia uma espada consigo,
puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco.
11
Então Jesus disse a Pedro:
“Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?”
Conduziram Jesus primeiro a Anás.
12
Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus
prenderam Jesus e o amarraram.
13
Conduziram-no primeiro a Anás,
que era o sogro de Caifás,
o Sumo Sacerdote naquele ano.
14
Foi Caifás que deu aos judeus o conselho:
“É preferível que um só morra pelo povo”.
15
Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus.
Esse discípulo era conhecido do Sumo Sacerdote e entrou com Jesus no pátio do Sumo Sacerdote.
16
Pedro ficou fora, perto da porta.
Então o outro discípulo, que era conhecido do Sumo Sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro.
17
A criada que guardava a porta disse a Pedro:
“Não pertences também tu aos discípulos desse homem?” Ele respondeu: “Não!”
18
Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira
e estavam-se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se.
19
Entretanto, o Sumo Sacerdote interrogou Jesus
a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento.
20
Jesus lhe respondeu:
“Eu falei às claras ao mundo.
Ensinei sempre na sinagoga e no Templo,
onde todos os judeus se reúnem.
Nada falei às escondidas.
21
Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei;
eles sabem o que eu disse”.
22
Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava
deu-lhe uma bofetada, dizendo: “É assim que respondes ao Sumo Sacerdote?”
23
Respondeu-lhe Jesus:
“Se respondi mal, mostra em quê;
mas, se falei bem, por que me bates?”
24
Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás,
o Sumo Sacerdote.
Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: “Não!”
25
Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se.
Disseram-lhe:”Não és tu, também, um dos discípulos dele?” Pedro negou: “Não!”
26
Então um dos empregados do Sumo Sacerdote,
parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse:
“Será que não te vi no jardim com ele?”
27
Novamente Pedro negou.
E na mesma hora, o galo cantou.
O meu reino não é deste mundo.
28
De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador.
Era de manhã cedo.Eles mesmos não entraram no palácio,para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa.
29
Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse:
“Que acusação apresentais contra este homem?”
30
Eles responderam:
“Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!”
31
Pilatos disse:
“Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei”.
Os judeus lhe responderam:”Nós não podemos condenar ninguém à morte”.
32
Assim se realizava o que Jesus tinha dito,
significando de que morte havia de morrer.
33
Então Pilatos entrou de novo no palácio,
chamou Jesus e perguntou-lhe:”Tu és o rei dos judeus?”
34
Jesus respondeu:
“Estás dizendo isto por ti mesmo,
ou outros te disseram isto de mim?”
35
Pilatos falou:
“Por acaso, sou judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim.Que fizeste?”
36
Jesus respondeu:
“O meu reino não é deste mundo.
Se o meu reino fosse deste mundo,os meus guardas lutariam
para que eu não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqui”.
37
Pilatos disse a Jesus:
“Então tu és rei?”
Jesus respondeu:
‘Tu o dizes: eu sou rei.
Eu nasci e vim ao mundo para isto:para dar testemunho da verdade.Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.
38
Pilatos disse a Jesus:
“O que é a verdade?”
Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus,e disse-lhes: “Eu não encontro nenhuma culpa nele.
39
Mas existe entre vós um costume,
que pela Páscoa eu vos solte um preso.Quereis que vos solte o rei dos Judeus?”
40
Então, começaram a gritar de novo:
“Este não, mas Barrabás!”
Barrabás era um bandido.
Viva o rei dos judeus!
19,1
Então Pilatos mandou flagelar Jesus.
2
Os soldados teceram uma coroa de espinhos
e colocaram-na na cabeça de Jesus.Vestiram-no com um manto vermelho,
3
aproximavam-se dele e diziam:
“Viva o rei dos judeus!”
E davam-lhe bofetadas.
4
Pilatos saiu de novo e disse aos judeus:
“Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós,para que saibais que não encontro nele crime algum”.
5
Então Jesus veio para fora,
trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho.Pilatos disse-lhes:
“Eis o homem!”
6
Quando viram Jesus,
os Sumos Sacerdotes e os guardas começaram a gritar:”Crucifica-o! Crucifica-o!”Pilatos respondeu:
“Levai-o vós mesmos para o crucificar,
pois eu não encontro nele crime algum”.
7
Os judeus responderam: “Nós temos uma Lei,
e, segundo esta Lei, ele deve morrer,porque se fez Filho de Deus”.
8
Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda.
9
Entrou outra vez no palácio
e perguntou a Jesus:
“De onde és tu?”
Jesus ficou calado.
10
Então Pilatos disse:
“Não me respondes?
Não sabes que tenho autoridade para te soltare autoridade para te crucificar?”
11
Jesus respondeu:
“Tu não terias autoridade alguma sobre mim,se ela não te fosse dada do alto.Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior”.
Fora! Fora! Crucifica-o!
12
Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus.
Mas os judeus gritavam:”Se soltas este homem, não és amigo de César.Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César”.
13
Ouvindo estas palavras,
Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal,
no lugar chamado “Pavimento”, em hebraico “Gábata”.
14
Era o dia da preparação da Páscoa,
por volta do meio-dia.Pilatos disse aos judeus:
“Eis o vosso rei!”
15
Eles, porém, gritavam:
“Fora! Fora! Crucifica-o!”
Pilatos disse:
“Hei de crucificar o vosso rei?”
Os sumos sacerdotes responderam:”Não temos outro rei senão César”.
16
Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado,
e eles o levaram.
Ali o crucificaram, com outros dois.
17
Jesus tomou a cruz sobre si
e saiu para o lugar chamado “Calvário”,em hebraico “Gólgota”.
18
Ali o crucificaram, com outros dois:
um de cada lado, e Jesus no meio.
19
Pilatos mandou ainda escrever um letreiro
e colocá-lo na cruz; nele estava escrito:”
Jesus o Nazareno, o Rei dos Judeus
“.
20
Muitos judeus puderam ver o letreiro,
porque o lugar em que Jesus foi crucificado
ficava perto da cidade.
O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego.
21
Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos:
“Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’,
mas sim o que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus'”.
22
Pilatos respondeu:
“O que escrevi, está escrito”.
Repartiram entre si as minhas vestes.
23
Depois que crucificaram Jesus,
os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes,uma parte para cada soldado.Quanto à túnica, esta era tecida sem costura,em peça única de alto a baixo.
24
Disseram então entre si:
“Não vamos dividir a túnica.
Tiremos a sorte para ver de quem será”.Assim se cumpria a Escritura que diz:”Repartiram entre si as minhas vestese lançaram sorte sobre a minha túnica”.Assim procederam os soldados.
Este é o teu filho. Esta é a tua mãe.
25
Perto da cruz de Jesus, estavam de pé
a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas,e Maria Madalena.
26
Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela,
o discípulo que ele amava, disse à mãe:
“Mulher, este é o teu filho”.
27
Depois disse ao discípulo:
“Esta é a tua mãe”.
Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.
Tudo está consumado.
28
Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado,
e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse:
“Tenho sede”.
29
Havia ali uma jarra cheia de vinagre.
Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagree levaram-na à boca de Jesus.
30
Ele tomou o vinagre e disse:
“Tudo está consumado”.
E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Todos se ajoelham e faz-se uma pausa.
E logo saiu sangue e água.
31
Era o dia da preparação para a Páscoa.
Os judeus queriam evitarque os corpos ficassem na cruz durante o sábado,porque aquele sábado era dia de festa solene.Então pediram a Pilatosque mandasse quebrar as pernas aos crucificadose os tirasse da cruz.
32
Os soldados foram
e quebraram as pernas de um e, depois, do outroque foram crucificados com Jesus.
33
Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava
morto, não lhe quebraram as pernas;
34
mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança,
e logo saiu sangue e água.
35
Aquele que viu, dá testemunho
e seu testemunho é verdadeiro;
e ele sabe que fala a verdade,
para que vós também acrediteis.
36
Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura,
que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”.
37
E outra Escritura ainda diz:
“Olharão para aquele que transpassaram”.
Envolveram o corpo de Jesus com os aromas, em faixas de linho.
38
Depois disso, José de Arimateia,
que era discípulo de Jesus- mas às escondidas, por medo dos judeus -pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus.Pilatos consentiu.Então José veio tirar o corpo de Jesus.
39
Chegou também Nicodemos,
o mesmo que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus.Levou uns trinta quilos de perfumefeito de mirra e aloés.
40
Então tomaram o corpo de Jesus
e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho,como os judeus costumam sepultar.
41
No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim
e, no jardim, um túmulo novo,onde ainda ninguém tinha sido sepultado.
42
Por causa da preparação da Páscoa,
e como o túmulo estava perto,
foi ali que colocaram Jesus.
– Palavra da Salvação.
– Glória a Vós, Senhor.
O SOFRIMENTO E MORTE DE JESUS NUM ASPÉCTO MÉDICO
“A mais extrema, cruel e angustiante forma de punição”, diz o Dr. Pierre Barbet, cirurgião do Hospital Saint Joseph de Paris, em seu livro A Paixão de Cristo segundo o cirurgião, onde descreveu de forma médica como Jesus morreu.
A descrição da morte de Jesus está presente nos quatro evangelhos canônicos da bíblia: Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas existem ainda outras fontes históricas que relatam a morte de Jesus.
O intuito deste artigo é fazer uma descrição do que aconteceu fisiologicamente no corpo de Jesus ao longo de todas as suas horas de sofrimento. Por essa razão, é necessário relembrar, de forma resumida, o que aconteceu em cada hora desde o momento em que ele foi preso até sua morte.
As últimas horas da vida de Jesus são resumidas assim:
• 21h – Jesus reza no Horto das Oliveiras;
• 22h – Jesus entra em agonia e sua sangue;
• 23h – Jesus recebe o beijo de Judas, o traidor;
• 00h – Jesus é preso;
• 01h – Jesus é conduzido a Anás;
• 02h – Jesus é entregue a Caifás;
• 03h – Jesus é negado por Pedro;
• 04h – Jesus é condenado à morte pelo sinédrio;
• 05h – Jesus é conduzido até Pilatos;
• 06h – Jesus é desprezado por Herodes;
• 07h – Jesus é devolvido a Pilatos;
• 08h – Jesus é preferido à Barrabás;
• 09h – Jesus é flagelado;
• 10h – Jesus é coroado de espinhos;
• 11h – Jesus beija a cruz e a carrega;
• 12h – Jesus é despojado de suas vestes e pregado na cruz;
• 13h – Jesus perdoa o bom ladrão;
• 14h – Jesus entrega sua mãe a João;
• 15h – Jesus morre.
Onde Jesus foi crucificado?
Jesus foi crucificado no Gólgota ou Calvário, isto é, o lugar das caveiras. Ficava fora dos muros da cidade de Jerusalém, acessível aos que passavam e fácil de ser observado à distância.
Em aramaico, calvário é Gûlgaltâ, gólgota, o lugar da crucificação. Tradicionalmente, os católicos consideram que esse lugar já havia sido atestado no século IV. Está dentro da atual Igreja do Santo Sepulcro no Bairro Cristão da Cidade Velha.
Quem estava presente no calvário quando Jesus morreu?
Mateus relata diversas pessoas presentes. Havia dois ladrões que também foram crucificados, um de cada lado de Jesus, um centurião romano posteriormente identificado como Petrônio e alguns outros soldados.
Algumas mulheres também estavam presentes, destacando-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José e a mulher de Zebedeu.
João, autor de um dos evangelhos, também estava presente.
Por que Jesus foi morto?
Teologicamente, a tradição cristã afirma que Jesus morreu para salvar a humanidade, que precisava ser redimida de seus pecados. Sua morte foi um ato de amor.
Desconsiderando a explicação religiosa, Ele foi morto por ser considerado perigoso, já que tinha apoio do povo e poderia ser uma ameaça ao poder dos judeus e dos romanos.
Quem mandou matar Jesus?
O responsável legal pela morte de Jesus foi Pôncio Pilatos. Foi ele quem o sentenciou à morte por crucificação, embora esse tenha sido o pedido dos judeus.
Por que Jesus foi sentenciado a morrer na cruz?
A punição mais comum entre os judeus era o apedrejamento. Já os romanos, decapitavam, queimavam, entregavam a vítima aos animais ou a empalavam. Mas de todas as formas, a pior era a crucificação, reservada apenas aos principais inimigos de Roma, acusados de se rebelar contra César.
Quando Jesus foi levado diante de Pilatos, os sumos sacerdotes judeus e os fariseus insinuaram que Jesus se considerava Rei dos judeus. Essa acusação tinha uma dupla gravidade: para os judeus isso era uma blasfêmia e para os romanos uma afronta ao único rei que era o imperador em Roma.
Qual cruz foi usada na crucificação de Jesus Cristo?
Basicamente, o império romano usava quatro tipos de cruzes:
• Cruz Decussata: Seu formato é um X e no cristianismo ela é conhecida como Cruz de Santo André. Nesse modelo, o prisioneiro ficava com os pés no chão e era amarrado. Feito isso, soltavam-se animais para devorá-lo vivo.
• Cruz Grega – Iniça Quadrata: Seu formato é o de um + e nunca passava de 2 metros de altura para facilitar que os animais devorassem o preso.
• Cruz Comissata: Seu formato é o de um T. O condenado carregava o patibulum, parte horizontal, onde se inscrevia o titulus, placa com o nome do prisioneiro e a razão de sua morte. A parte vertical costumava já estar fincada no local da crucificação.
• Cruz Latina: Era a mais utilizada pelos romanos, com aproximadamente 3 metros de altura. É o formato mais tradicional conhecido e usado.
Não era necessário crucificar os condenados exclusivamente dessa forma. A crucificação poderia acontecer em árvores, muros e paredes.
Baseando-se no evangelho de Mateus, acredita-se que Jesus morreu crucificado na Comissata ou na Latina. Em ambas seria possível anexar o titulus.
Sabe-se que na cruz de Jesus estava escrito “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus” em hebraico, latim e grego.
Em relação à altura da cruz, o que também confirma a possibilidade de terem sido a Comissata ou Latina é o fato dos soldados terem necessitado de um caniço para dar de beber a Jesus e de terem usado uma lança para perfurá-lo.
Quando Jesus morreu?
Não há consenso, mas há uma concordância geral de que a morte de Jesus aconteceu em uma sexta-feira, durante o governo de Pôncio Pilatos, entre os anos 30 d.C e 33 d.C.
No Evangelho de Marcos (15,25), ele afirma que a crucificação ocorreu na hora terceira (9h da manhã) e que a morte de Jesus ocorreu na hora nona (15h).
Para Colin J. Humphreys, professor e diretor de pesquisa em Cambridge, em O mistério da última ceia, descreve:
“Mas sabe-se que morreu no reinado de Tibério César (que durou de 14 a 37 d. C.), executado por Pilatos (prefeito da Judéia de 26 a 37 d. C.) e quando Caifás era sumo sacerdote (entre 18 e 36 d. C.). Ou seja, Jesus morreu entre 26 e 36 d. C. Nesse intervalo de 10 anos, a maioria dos grandes especialistas bíblicos inclina-se sobretudo para duas datas: 30 d. C. e 33 d. C. Mas sem certezas. Além disso, falta descobrir o dia do mês, os quatro evangelhos afirmam apenas ter sido no dia antes do sabat, ou seja, numa sexta-feira.”
E como o jantar da Páscoa Judaica deveria acontecer no 15º dia do primeiro mês do ano religioso judeu, isso significa que Jesus pode ter morrido em março ou abril.
Finalmente, para responder à pergunta “como Jesus morreu”, o que se segue é um resumo do que está no livro do Dr. Pierre Barbet, cirurgião do Hospital Saint Joseph de Paris, em seu livro A Paixão de Cristo segundo o cirurgião.
Como Jesus morreu? Relato médico da morte de Jesus
Desde o século I, existem publicações de relatos médicos sobre a crucificação e morte de Jesus.
Atualmente, com o conhecimento que se tem da fisiopatologia de um paciente com traumas por grandes feridas, pode-se inferir quais foram as mudanças fisiológicas ocorridas no corpo de Jesus durante a crucificação.
Horto da Oliveiras (Getsêmani)
“E seu suor tornou-se como que coágulos de sangue caindo pelo chão” (Lucas 22,44).
Dentre os evangelistas, Lucas foi o único a relatar esse fenômeno do suor de sangue. Não por coincidência, ele era médico.
A hematidrose (hematihidrosis ou hemohidrosis) é um fenômeno raro mas bem documentado. Aparece, segundo o Dr. Le Bec “em condições completamente especiais: uma grande debilidade física, acompanhada de um abalo moral, seguido de profunda emoção, de grande medo”.
Lucas exprime por “agonia” o que em grego significa luta, ansiedade e angústia. Isso pode desencadear a dilatação dos vasos capilares que ficam sob a pele, que se rompem em contato com os fundos-de-saco de milhões de glândulas de suor.
Nesse contato, o sangue se mistura ao suor e se coagula na pele após a exsudação. É esta mistura de suor e de coágulos que se reúne e escorre por todo o corpo em quantidade suficiente para cair por terra.
Essa hemorragia microscópica se produz em toda a pele, que fica atingida e prejudicada em seu conjunto e, de algum modo, dolorida, e mais sensível para todos os golpes futuros.
Os primeiros golpes em Jesus
Uma vez preso e aguardando o julgamento de Caifás, Jesus recebeu bofetadas e socos. Foi colocado um véu sobre sua cabeça e cada um o golpeou ali. Com o corpo já completamente dolorido, os tapas reboaram e sua cabeça ressoava latejando.
Provavelmente, neste momento ele sentiu as primeiras vertigens, ou seja, perda de equilíbrio.
A flagelação
Jesus já foi apresentado diante de Pilatos com equimoses (hematomas) e escarros. Como foi entregue para ser flagelado, foi levado ao lugar chamado pretório, onde foi desnudado e amarrado com os braços esticados para cima e os punhos amarrados no alto de uma coluna.
A flagelação era uma preliminar legal em toda execução romana. A lei hebraica fixava que 39 golpes deveriam ser dados. Mas os carrascos não seguiram esse número e foram até o limite da síncope (desmaio). Eram dois algozes, um de cada lado.
O Dr. Barbet também estudou detalhadamente o Sudário de Turim. Pelas análises, as marcas dos flagelos podem ser vistas nas espáduas, costas, rins e também no peito.
As chicotadas vão até às coxas e barriga-das-pernas; e aí, a extremidade das correias, além das balas de chumbo, contorna o membro e marca seu sulco até a face anterior das pernas.
Aos primeiros golpes, as correias deixaram longos riscos azuis de equimose subcutânea em uma pele já sensibilizada e dolorida pelas milhões de pequenas hemorragias intradérmicas do suor de sangue.
Os soldados usavam açoite curto (flagram ou flagellum) com várias cordas ou correias de couro, com bolas de ferro ou pedacinhos de ossos nas pontas. As bolas de ferro causavam contusões e hematomas, mas com ossos, rasgavam a pele e o tecido subcutâneo.
Durante o açoite, as lacerações cortavam até mesmo os músculos, produzindo tiras sangrentas de carne rasgada. Essa era a criação das condições para perder líquidos como o próprio sangue e o plasma.
Diz o doutor:
“As balas de chumbo marcam mais. Em seguida a pele, infiltrada de sangue, mais sensível, é dilacerada por novos golpes. O sangue jorra, pedaços se destacam e ficam pendentes. Toda a face posterior não é outra cousa senão uma superfície vermelha sobre a qual se destacam grandes vergões jaspeados; cabeça Lhe gira com sensações de vertigem e náuseas, calafrios Lhe passam ao longo da espinha”.
A coroa de espinhos
Após a flagelação, os soldados colocaram sobre a cabeça de Jesus uma coroa de espinhos. Comum na região da Palestina, foi usado o espinho Zizyphus ou Azufaifo, chamado Spina Christi, espinhos agudos, longos e curvos.
Os soldados teceram a coroa de espinhos em uma espécie de fundo de cesta, que Lhe aplicam sobre o crânio. Não foi uma tiara, como se representa, mas tinha formato de capacete e abrangia todo o crânio.
Os juncos torcidos envolveram a cabeça entre a nuca e a testa. Os espinhos penetraram no couro cabeludo, parte esta do corpo extremamente sensível e que sangra muito. Logo o crânio ficou todo pegajoso de tantos coágulos.
Observando o sudário, o Dr. Barbet notou também uma horrível chaga contusa no nariz de Jesus, que ficou deformado por uma fratura da aresta cartilaginosa.
A Via Dolorosa (Via Crucis)
Primeiro, arrancam-Lhe a clâmide (manto) que já estava colada a todas as suas feridas. O sangue que já havia secado voltou a escorrer e um grande calafrio lhe perpassou.
Fizeram-no vestir de novo suas próprias roupas que logo se tingiram de vermelho. Jesus caminhou descalço pelas ruas de um solo escabroso semeado de pedregulhos. Com frequência caiu sobre os joelhos, que em pouco tempo não eram outra coisa senão uma só chaga.
Quantos quilos pesava a cruz que Jesus carregou?
Ele carregou a cruz do poste de flagelação até o lugar da crucificação. A cruz pesava mais de 300 libras (136 kg). Mas somente o patíbulo, parte horizontal, foi colocado sobre sua nuca, balançando sobre os dois ombros. Pesava entre 75 e 125 libras, aproximadamente 30 kg.
O caminho tinha aproximadamente meio quilômetro, por volta de 600 metros. Finalmente, ele chega ao topo, onde será crucificado.
Antes de iniciar a crucificação no calvário, foi oferecida a Jesus uma bebida narcótica (vinho com mirra e incenso), para diminuir a dor. Ele recusou.
A crucificação de Jesus
No decorrer do caminho, sua túnica estava mais uma vez colada em suas chagas, em todo o seu corpo.
Cada fio de lã estava colado à sua superfície despida, e quando eram retirados, cada um dava a sensação de arrancar uma das inumeráveis terminações nervosas deixadas a descoberto nas chagas.
“Choques dolorosos se adicionam e se multiplicam, aumentando cada um para o seguinte a sensibilidade do sistema nervoso. Ora, não se trata aqui de lesão local, mas de quase que toda a superfície do corpo, e sobretudo daquelas lamentáveis costas”.
“Colocaram-no ao pé do “stipes”, com as espáduas deitadas sobre o “patibulum”. Os carrascos tomam as medidas. Um golpe inicial para preparar os buracos dos cravos, o nervo mediano fora atingido”.
Jesus experimentou uma dor inenarrável, que se espalhou por seus dedos, subiu como uma língua de fogo até a espádua e prorrompeu no cérebro. Isso quase sempre acarreta a síncope.
Os pregos ou cravos, tinham um diâmetro na cabeça de 13 cm e comprimento de 18 cm, e eram cravados sobre os pulsos, pois se fosse nas mãos, elas se rasgariam completamente.
Provavelmente foram colocados entre o rádio e os metacarpianos; ou entre duas fileiras de ossos carpianos, perto ou através do forte flexor retinaculum e demais ligamentos intercarpais.
A possibilidade de uma ferida perióssea dolorosa foi grande, bem como a lesão de vasos arteriais tributários da artéria radial ou cubital. O cravo penetrado destruía o nervo sensorial motor, ou comprometia o nervo médio, radial ou o nervo cubital.
A afecção de qualquer destes nervos produziu tremendas descargas de dor em ambos os braços. O empalamento de vários ligamentos provocou fortes contrações nas mãos.
“As agudas pontas do grande chapéu de espinhos dilaceraram o crânio mais profundamente ainda. Sua pobre cabeça pende agora para a frente, porque a espessura de sua coroa impede de repousar sobre a madeira, e, cada vez, que a ergue renova as picadas”.
Sob uma pequena pirâmide truncada, os pés foram posicionados e pregados por um prego de ferro entre o primeiro e o segundo espaço intermetatasiano. Consequentemente, o nervo profundo do perônio e ramificações dos nervos médios foram feridos.
Não há consenso se apenas um prego foi utilizado para ambos os pés ou se foram dois.
Nas palavras de São Meliton de Sardes, vê-se que:
“Os padecimentos físicos já tão violentos ao fincar os pregos, em órgãos extremamente sensíveis e delicados, faziam-se ainda mais intensos pelo peso do corpo suspenso pelos pregos, pela forçada imobilidade do paciente, pela intensa febre que sobrevinha, pela ardente sede produzida por esta febre, pelas convulsões e espasmos, e também pelas moscas que o sangue e as chagas atraíam”.
Nesta longa sequência que explica como Jesus morreu, vale lembrar que ele não tinha comido nada desde a véspera da tarde. Aproximava-se ao meio-dia e ele já tinha perdido muita massa sanguínea. Jesus tinha sede.
A causa da morte de Jesus – Interpretação da fisiopatologia
Jesus sofreu múltiplos traumas e contusões. Com tantos ferimentos e dores, a crucificação aumentava sua dor nos braços e nas pernas, interferindo na respiração normal, principalmente na exalação.
Os braços ficaram estendidos, mas o peso do corpo os puxava para baixo. Por essa razão, os músculos intercostais ficavam em um estado de inalação, afetando a inalação passiva, diafragmática e muito leve.
Respirar assim era insuficiente e aumentava a retenção de CO2 (hipercapnia). Para respirar e inalar o suficiente, Jesus precisava se apoiar nos pés, flexionar os braços e depois soltar o corpo para conseguir exalar.
A flexão dos cotovelos causava a rotação dos pulsos em torno dos pregos de ferro e esse movimento retomava em seu corpo dores semelhantes a de ser novamente pregado, porque o movimento fazia roçar os nervos e músculos lacerados nos pregos.
Durante horas de fadiga, teve cãibras musculares e contraturas tetânicas. Isso fazia com que os músculos dos braços ficassem mais rígidos espontaneamente por uma contração que se acentuava cada vez mais.
“Os deltóides, os bíceps estão entesados e salientes, os dedos se crispam. Câimbras! É o que chamamos de tetania, quando as câimbras se generalizam, e eis que apareceu. Os músculos do ventre se enrijecem como em ondas congeladas, depois os intercostais, em seguida os músculos do pescoço e os músculos respiratórios”.
“A respiração tornou-se a pouco e pouco mais curta, superficial. As costelas já elevadas pela tração dos braços, ainda se sobrelevar; o epigastro se cava e também o mesmo acontece com as covas das clavículas. O ar penetra sibilando, mas quase não sai mais. Respira só no alto, inspira um pouco e não mais consegue expirar”.
Jesus morreu por asfixia?
Com a respiração cada vez mais fatigante e agonizante, eventualmente aconteceria a morte por asfixia.
“O rosto pálido pouco a pouco fica corado, vermelho, passa ao violeta púrpura e em seguida ao azul. É a asfixia. Os pulmões, fartos de ar, não conseguem se esvaziar”.
“Os tornozelos e os joelhos, a pouco e pouco, se estendem e o corpo, a arrancões, se ergue, aliviando assim a tração dos braços (tração que era de mais de 90 quilos para cada mão). Então, eis que o fenômeno diminui por si mesmo, a tetania regride, os músculos se distendem, pelo menos os do peito. A respiração torna-se mais ampla e mais profunda, os pulmões se desenfartam e, dentro de pouco, o rosto retoma sua palidez anterior”.
Todo esse esforço foi feito porque Ele queria falar.
Os evangelistas registraram sete frases ditas por Jesus enquanto estava na cruz:
• Pai, perdoa-lhes; pois não sabem o que fazem. (Lucas 23:34) – imediatamente ao ser crucificado.
• Em verdade te digo que hoje, estarás comigo no Paraíso (Lucas 23:43) – respondendo ao “bom ladrão”.
• Mulher, eis aí teu filho! Filho, eis aí tua mãe! (João 19:24-27) – ao entregar Maria, sua mãe, aos cuidados de João.
• Eli, Eli, lamá sabactâni? que quer dizer, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mateus 27:46); também em Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que quer dizer, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Marcos 15:34) – imediatamente antes de morrer.
• Tenho sede. (João 19:28) – “para se cumprir a Escritura”.
• Está consumado. (João 19:30) – após beber o vinagre e imediatamente antes de morrer.
• Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. (Lucas 23:46) – imediatamente antes de morrer.
Era de costume deixar que os corpos ficassem longas horas pendentes na cruz, até mesmo à putrefação até que feras ou aves de rapina devorassem as carcaças.
Para acelerar o fim dos condenados, costumava-se também quebrar suas pernas a golpes, para que não conseguissem se impulsionar para respirar. Essa operação era o crurifragium.
Com Jesus isso não aconteceu, porque já tinha morrido. Entretanto, um dos soldados romanos quis dar em Jesus o chamado golpe de misericórdia e traspassou-lhe o peito com uma lança.
O relato bíblico aponta que nesta hora saiu do lado de Jesus sangue e água. Os médicos concluíram que o pericárdio (saco membranoso que envolve o coração) deve ter sido alcançado com a lança. Outra alternativa é que tenha sido perfurado o ventrículo direito ou até um hemopericárdio postraumático.
A profusão de sangue pode ter vindo do fluido de pleura e do pericárdio.
Muito obrigado Senhor Jesus por sofrer e morrer pelos meus pecados e assim abrir as portas do paraíso a nós!
Como ganhar indulgências plenárias ou parciais
Doutrina
Teologia
Aprenda a lucrar indulgências para si e para as almas do Purgatório
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz.
O que são as indulgências?
O tema das indulgências para muitos católicos ainda hoje é desconhecido ou pouco entendido. Este é o motivo pelo qual poucos são os que aproveitam as abundantes graças que o Senhor Todo-Poderoso concede aos fiéis por sua Santa Igreja. Certamente, você ficará surpreso ao perceber que a graça das indulgências está mais disponível do que, em geral, se pensa e que se não aproveitamos este dom de Deus é por negligência própria.
Antes de falar das indulgências faz-se necessário relembrar alguns pontos da doutrina Católica para bem compreender sua finalidade e importância. O primeiro deles refere-se ao livre-arbítrio do homem em poder rejeitar a Deus, sua Revelação, seu amor e bondade, sua graça e todos os meios ordinários de santificação confiados à Santa Igreja. Este ato de rejeição, de revolta à vontade divina é o que chamamos de pecado.
Deste modo, o pecado constitui uma ofensa ao amor infinito de Deus e, como sabemos, para todo ato há consequências, no caso do pecado, além da culpa por tê-lo cometido há também a pena que ele acarreta. A culpa nos é perdoada pelo sacramento da Penitência (confissão), já a pena, precisamos satisfazer nesta vida com boas obras, jejuns, esmolas, mortificações, orações e indulgências para reparar o mal causado pelo pecado, visto que ofendemos a infinita dignidade de Deus, Nosso Senhor e Criador.
Não se trata apenas de um dever de justiça, mas principalmente de um ato de amor. Reparar o mal causado para com Aquele que tanto nos ama. Assim, por meio da Santa Igreja Católica, a guardiã e dispensadora das graças de Deus, podemos satisfazer com perfeição essas penas devidas pelo pecado e fortalecer nossa íntima união de amor com Jesus Cristo, nosso Salvador, pelas indulgências.
A Igreja define que “indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. [1]
A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados. Todos os fiéis podem alcançar indulgências para si mesmos ou aplicá-las em favor dos defuntos [2]. A intenção da Igreja ao conceder as indulgências é auxiliar a nossa incapacidade de expiar neste mundo toda a pena temporal e facilitar o acesso a essa graça, por elas se satisfaz a justiça divina mais depressa e mais facilmente se alcança o Céu [3]. Aquelas pessoas que se salvaram sem expiar totalmente essas penas durante a vida, passarão pelo Purgatório até que estejam completamente purificadas para que depois possam entrar na bem-aventurança eterna.
Com a explicação apresentada até aqui, compreendemos o quanto é importante alcançar indulgências durante a vida, seja para si ou para alguém já falecido. Como ensina São João, se estamos em comunhão com Cristo, caminhamos na luz e também estamos em comunhão uns com os outros, de tal modo que o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado (cf. 1 Jo 1, 7). Esta comunhão reflete a perfeita união entre a Igreja triunfante no Céu, a padecente no Purgatório e a peregrina (militante) na terra, que constitui uma só Igreja, um só corpo do qual Jesus Cristo é a cabeça, sendo o mesmo espírito que as anima e as une [4].
Sendo assim, nós que estamos peregrinando neste mundo, podemos e devemos ajudar aqueles irmãos que padecem no Purgatório, com nossas boas obras e orações, a satisfazerem suas penas, visto que eles nada podem fazer por si mesmos. E para aplicar as satisfações abundantes que Jesus Cristo alcançou por sua Paixão e Morte na cruz, a Igreja estabeleceu algumas condições específicas para dispensar este tesouro aos fiéis. É o que veremos a seguir.
Condições para lucrar indulgência
Para se lucrar indulgência plenária é preciso rejeitar todo o apego ao pecado, qualquer que seja, mesmo venial. Requer fazer uma obra enriquecida de indulgência e preencher as seguintes condições: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice, o Papa. As três condições podem ser preenchidas em dias diversos, antes ou após a realização da obra prescrita, mas convém que a comunhão e a oração nas intenções do Papa se façam no mesmo dia em que se faz a obra [5]. Também é importante lembrar que para receber a Sagrada Comunhão é preciso estar em estado de graça.
Com uma só confissão podem ganhar-se várias indulgências, mas com uma só comunhão e uma só oração alcança-se uma só indulgência plenária [6]. As orações nas intenções do Papa cumprem-se rezando um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, mas é facultado a todos os fiéis rezar qualquer outra oração conforme sua piedade e devoção para com o Romano Pontífice [7].
Se faltar a devida disposição de rejeitar todo apego ao pecado, ou não se cumprem as condições necessárias, a indulgência será parcial [8]. Sem dúvida, este é o aspecto mais importante, cumprir as condições necessárias não é tão difícil, mas desapegar-se de toda a afeição ao pecado é uma luta para todos nós, graça que alcançamos com muitas orações e penitências. Também é importante dizer que a indulgência plenária só se pode ganhar uma vez ao dia, enquanto a parcial mais de uma vez [9] e qualquer fiel pode lucrar indulgência para si mesmo ou aplicá-la aos defuntos como sufrágio. [10]
Tende compaixão das pobres almas do Purgatório
As pobres almas do Purgatório precisam de nós. Por isso, de modo especial, a Igreja concede um período de oito dias, de 1 a 8 de novembro, para lucrarmos indulgências plenárias em sufrágio das almas dos fiéis falecidos. Cumpridas as condições já mencionadas, temos a oportunidade de obter uma indulgência plenária por dia, aplicável apenas às almas do Purgatório, visitando devotamente um cemitério e rezando, mesmo em espírito, pelos defuntos. [11]
Na comemoração dos fiéis defuntos, dia 2 de novembro, não é necessário visitar o cemitério, apesar de ser um costume piedoso, a Igreja ensina que para lucrar indulgência basta cumprir as condições de costume e visitar piedosamente uma igreja ou oratório para recebê-la, aplicada apenas aos defuntos [12]. Também podemos recitar a oração: “Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém”. Neste caso a indulgência é parcial, também aplicável apenas às almas do Purgatório.
Lembremo-nos que o Purgatório é um lugar de expiação, onde aqueles que morrem na amizade com Deus passam por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu. A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos [13]. Os cristãos podem ajudar a abreviar este período de purificação, não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles. [14]
Vamos, portanto, recapitular as condições para lucrar indulgências de 01 a 08 de novembro:
1. Uma confissão para os oito dias;
2. Visitar um cemitério e rezar pelas almas (opcional no dia 02 de novembro, bastando a visita a uma igreja);
3. Uma comunhão por dia;
4. Recitar as orações nas intenções do Papa (Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória)
Práticas e orações que a Igreja concede indulgências
Das várias orações e práticas em que a Igreja Católica dispensa a graça das indulgências, citaremos algumas para que o fiel, conhecendo-as, possa viver mais profundamente a fé e usufruir deste dom que Deus concede por sua bondade. [15]
1. A Igreja concede indulgência plenária a todo fiel que o recitar o hino “Te Deum” em ação de graças em público no último dia do ano.
2. A indulgência também será plenária se o fiel recitar devotamente o hino “Veni Creator” no dia primeiro de janeiro e na solenidade de Pentecostes.
3. Concede-se indulgência plenária ao fiel que, na sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor, toma parte piedosamente na adoração da Cruz da solene ação litúrgica.
4. Concede-se indulgência plenária aos fiéis que se aproximarem pela primeira vez da Sagrada Comunhão ou que assistem a outros que se aproximam.
5. Concede-se indulgência plenária ao sacerdote que, em dia marcado, celebra sua primeira missa, diante do povo, e aos fiéis que devotamente a ela assistem.
6. A récita do Santo Rosário na igreja ou oratório ou em família, na comunidade religiosa ou em piedosa associação, indulgência plenária, em outras circunstâncias parcial. Também é possível lucrar indulgência plenária recitando o Terço. Basta rezar as cinco dezenas juntas, com piedosa meditação acompanhada da oração vocal. Na recitação pública, devem-se anunciar os mistérios, conforme o costume aprovado do lugar, na recitação privada, basta que o fiel ajunte a meditação dos mistérios à oração vocal.
7. A visita ao Santíssimo Sacramento para adorá-lo a indulgência é parcial, se o fizer por ao menos meia hora, a indulgência será plenária.
8. Concede-se indulgência parcial ao fiel que ler a Sagrada Escritura, com a veneração devida à palavra divina, e a modo de leitura espiritual. A indulgência será plenária, se o fizer pelo espaço de pelo menos meia hora.
9. Ao fiel que renovar as promessas do batismo concede-se indulgência parcial; e ganhará indulgência plenária, se o fizer na celebração da Vigília Pascal ou no aniversário de seu batismo.
10. O fiel cristão que usa objetos de piedade (crucifixo ou cruz, rosário, escapulário, medalha) devidamente abençoados por qualquer sacerdote ou diácono, ganha indulgência parcial.
Deste rico tesouro que a Santa Igreja dispõe apresentamos apenas algumas práticas e orações piedosas acessíveis a todos os cristãos, as graças que elas conferem podem ser aplicadas em favor próprio ou dos defuntos. De fato, não sabemos ao certo onde estão as almas dos nossos familiares e amigos já falecidos, mas isso não impede de rezarmos por elas e oferecermos nossas indulgências e orações, auxiliar as almas do purgatório a satisfazer suas penas para poderem estar na presença de Deus no Céu é uma grande obra de misericórdia espiritual. Sejamos então generosos para com essas pobres almas, pois em breve podemos estar na mesma condição que elas.
Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno, e brilhe para eles a vossa luz. Descansem em paz! Amém.
Referências:
[1] CIC, 1471.
[2] Ibid.
[3] Catecismo Maior de São Pio X, nº 800, 801.
[4] Catecismo Maior de São Pio X, nº 146, 147.
[5] Indulgentiarum Doctrina, 7, 8.
[6] Manual de Indulgências, 23, § 2.
[7] Indulgentiarum Doctrina, 10.
[8] Manual de Indulgências, 23, § 4.
[9] Ibid, 21.
[10] Ibid, 4.
[11] Ibid, Concessões, 13.
[12] Indulgentiarum Doctrina, 15.
[13] CIC, 1030, 1031.
[14] Ibid, 1032.
[15] Manual de Indulgências, Concessões.
Fonte: padrealexnogueira.com



